Inteligência Artificial no Varejo de Materiais de Construção é tema de encontro na Feicon

CAPA BLOG

O Encontro do Varejo de Materiais de Construção (VMC) iniciou o segundo dia da Feicon, a maior feira do setor, realizada na Expo São Paulo de 2 a 5 de abril. Consolidado ao longo de nove anos como parte integrante da Feicon, o Encontro do VMC atraiu uma série de palestrantes para explorar o papel emergente da Inteligência Artificial (IA) no varejo, enfatizando aspectos como aprimoramento da experiência do cliente e segurança cibernética. Dados da Neogrid destacam que a implementação da IA na precificação varejista pode resultar em aumentos significativos no lucro, na receita e na margem.

 

Durante o Encontro VMC também foi realizado o lançamento oficial do livro “60 Anos de Associativismo no Varejo da Construção – ANAMACO Construindo um Legado há 40 anos”, pela BB Editora, que conta com depoimentos de 53 personalidades, entre presidentes de Acomacs, que ajudam a contar a história do associativismo do setor.

 

“O livro foi viabilizado através de parcerias junto com as empresas que fazem parte do setor e a força da Anamaco está representada na quantidade de marcas que nós temos nesse livro. Por mais que a gente tenha um trabalho comercial muito bom, nenhum livro de uma entidade de classe consegue essa quantidade de adesões se a entidade não for extremamente respeitada e valorizada pelas empresas da cadeia, destaca Renata Hernandes, diretora comercial da BB Editora.

 

Busca da isonomia comercial e regulamentação

 

Outro tema levantado durante o encontro foi a Busca da Isonomia Comercial, na palestra ministrada pelo presidente da Anamaco – Associação Comercial de Materiais de Construção, Cassio Tucunduva. É a busca da equalização das normas e dos procedimentos entre indivíduos que inclusive ganhou o apoio do deputado federal Capitão Augusto, presidente da Frente Parlamentar de Material de Construção na Câmara, através da PL 6005/23. 

 

A Lei tem por objetivo regulamentar a comercialização de materiais de construção, proibindo a venda direta de fábricas para construtoras, pessoas físicas ou jurídicas, assegurando uma competição justa e equitativa no mercado e protegendo os interesses dos pequenos e médios comerciantes de materiais de construção.

 

Estratégias práticas de implementação da IA

 

Os idealizadores do Encontro VMC, Lu Carmo e Eugenio Foganholo, desde 2016 trabalham para contribuir com conteúdos práticos e aplicáveis para os empresários do setor. “Nós conectamos marcas, sonhos e tornamos isso realidade dentro do setor de materiais de construção”, disse Lu Carmo, que também é fundadora do Fórum Mulheres na Construção. Ela exemplificou em sua palestra o uso que a The Home Depot faz da IA como assistência virtual, através da qual já realizou 1 milhão de consultas respondidas por assistentes virtuais, havendo 85% de taxa de precisão das respostas e 30% de redução no tempo médio de resposta ao cliente, resultando em 5% de melhora na margem de lucro, 10% redução média dos custos de estoque devido à previsão de demanda baseada em IA. Lu Carmo informa que é 20% mais alta a taxa de conversão de produtos recomendados por IA, com 10% de aumento no tíquete médio dos clientes que interagem com a personalização.

 

O estrategista de IA, Fernando Ferreira, apresentou um guia prático para lojas de materiais de construção utilizarem a IA como aliada. Ele cita o Chatbase como ferramenta de dados, entre outras aplicações práticas da IA. “O limitador de uso da IA é a capacidade de fazer perguntas; é preciso ter mais vocabulário. Portanto, a capacidade do seu time de fazer as perguntas certas é o que precisa ser treinado agora”, disse. 

 

O palestrante Rodrigo Nery, da Serban Brasil, também atua para melhorar a experiência do colaborador utilizando a tecnologia. “Nosso foco é fornecer tecnologia como serviço com simplicidade. Antes de implementar ferramentas de IA, é importante refletir sobre os desafios que sua empresa enfrenta”, considera. Rodrigo citou o desafio de implementar melhorias na ONG Mulheres na Construção com o uso de informações analíticas. “A partir do momento que você consegue trabalhar com o apoio de informações, você entende melhor o seu cliente, e o prepara melhor para pensar como organização”, define.

 

“Precisamos de respostas rápidas. Se começamos com caneta e papel, agora temos uma mega ferramenta para nos auxiliar a ajudar a todos”, disse Bia Kern, presidente da ONG Mulheres na Construção, que já formou mais de cinco mil mulheres no segmento da construção.

 

O uso da IA na precificação e previsibilidade da demanda no varejo

 

Dionaldo dos Passos, diretor de Supply Chain na Neogrid, sugere como utilizar a IA no varejo para alcançar a precificação inteligente e previsibilidade da demanda. Segundo Dionaldo estamos já saindo da era do prompt para o debug, referindo-se novamente aos casos em que a IA responde de forma não ideal devido a respostas mal formuladas. “Faço um apelo para que olhemos para a tecnologia, aprendamos e utilizemos, sempre cobrando que a tecnologia seja mais diretiva, orientando o que precisamos fazer”, disse. “Preço não é um problema matemático, é uma questão de compreensão”, complementa. 

 

“Poderíamos gerar mais lucro com a precificação inteligente. Ainda há falhas nas promoções que não geram a margem esperada. E ainda assim, em até 50% das promoções de varejo, não há um crescimento relevante de vendas”, afirma.

 

Experiência do cliente e casos de sucesso no varejo

 

Ao falar sobre a IA na jornada da experiência com o cliente no varejo, a palestrante Grazi Sbardelotto, VP of Marketing Cloud at Pmweb, uma empresa do grupo WPP, enumerou diversos aspectos de uso da IA, desde a predição de comportamentos em lojas para a otimização da força de trabalho, análises das lojas para entender quais vendem mais determinados produtos, até perguntas simples que não necessitam de uma pessoa altamente técnica em dados para tomar decisões, e até para previsão de estoque. 

 

No relacionamento com clientes, a IA tem capacidade de otimizar estratégias eficazes para determinar o melhor horário de envios, receptividade dos destinatários, principalmente para acelerar e facilitar esses resultados e processos. “Existem muitas ferramentas fáceis de usar, mas devemos ter cuidado, principalmente com relação aos dados, e também ela não deve transparecer que é uma IA, tem que ser inteligente e não artificial”, sugere. 

 

Segurança cibernética no varejo de materiais de construção

 

O custo médio de um vazamento de dados é de 1,2 milhões de dólares. Mas, quando a gente fala no varejo, esse número chega a 3,3 milhões de dólares. “Isso mostra o quanto o Brasil precisa evoluir em termos de segurança cibernética. 70% dos dados vazados levam mais de duas semanas para serem detectados, e em 93% desses casos, o atacante levou poucos dias para conseguir chegar aos dados”, alerta José Pela Neto, sócio da Deloitte Cyber.

 

Desafios e oportunidades na jornada da IA

 

A Profª Dra Regiane Romano citou os 6G’s do varejo, com destaque especial para a governança. “Sem gestão, não vamos a lugar nenhum, principalmente a gestão de dados”, disse. Ela afirma que é preciso trabalhar de forma “glocal”, ou seja, agir localmente e pensar de forma global. “Temos que ter o conhecimento. Temos que acabar com o gap tecnológico e treinar as pessoas. As pessoas são a base de todos os negócios, sem isso não vamos funcionar”, disse.

 

“Entender que a inovação precisa gerar receita, que a inteligência artificial é a transformação dos dados em informação, a informação em conhecimento. Mas, principalmente, que todo este conhecimento precisa ser aplicado com sabedoria, em benefício da humanidade”, disse. 

 

Portanto, para ter sucesso nos negócios, ainda é fundamental focar nas pessoas. “Os negócios não vendem produtos, são as pessoas que vendem. Os negócios não tomam decisões, são as pessoas que tomam. E os negócios não criam relacionamentos. Quem cria esses relacionamentos são as pessoas”, conclui Regiane.

Posts Recentes